literatura

Resenha: Aniquilação (Jeff Vandermeer)

domingo, agosto 12, 2018


Aniquilação é um típico exemplo de livro que me ganhou pela capa. Desde que vi essa arte na livraria fiquei curiosa a respeito da história, e após ler a sinopse o livro foi direto para a minha lista de desejos. Neste ano finalmente ganhei o livro, de presente de aniversário do meu namorado, e hoje vim contar um pouco a respeito dessa primeira história da Trilogia Comando Sul.
SINOPSE


Durante toda a minha leitura compartilhei algumas imagens do livro no meu bookstagram, e são elas que vou compartilhar aqui no post <3 Outra curiosidade é que esse livro foi adaptado para o cinema (estrelando a Natalie Portman como protagonista) e já está disponível na Netflix, mas vou falar sobre isso no final do post.


Vou começar já mandando a real sobre o livro: eu esperava bem mais dele. Criei muita expectativa com a sinopse, que promete um suspense de ficção científica e vários dramas presentes nas relações entre as participantes da expedição. Entretanto o que acontece são conversas sem muito propósito, pouco desenvolvimento das personagens e uma história que poderia ter sido resumida em um ou dois capítulos.
Não me levem a mal, eu até fiquei curiosa pelo segundo livro. Mas achei alguns elementos do enredo bem problemáticos. Uma das minhas dificuldades com a leitura foi o fato de que as descrições dos ambientes e criaturas não foi suficiente para me fazer visualizar as cenas, o que me deixava bastante confusa. 


Algo que gostei bastante na história foram os flashbacks do passado da protagonista. Os detalhes da infância dela e de sua relação com o marido me fizeram entendê-la um pouco melhor, e acho que esse método de escrita sempre faz o leitor se sentir um pouco mais próximo do personagem.
O fato de a história ser narrada em primeira pessoa também foi um ponto positivo, e o artificio de a narração da protagonista representar aquilo que ela escreveu em seu diário de campo foi um elemento interessante. Fiquei desejando ler diretamente das folhas onde ela escreveu toda essa aventura.


A edição da Intrínseca está linda, com folhas amareladas e ilustrações na parte interna capa. Essa imagem do javali tem uma relação bem legal com a história, e por isso adorei vê-lo ali :) O livro é dividido em apenas 5 capítulos, mas é uma leitura super rápida e, apesar das minhas críticas, recomendo aos fãs de ficção científica. 

ISBN: 978-85-8057-563-7
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ANIQUILAÇÃO: O FILME

Como falei lá no começo do post, este livro foi adaptado para o cinema neste ano. Apesar de todas as expectativas para o seu lançamento, aparentemente a indústria cinematográfica não conseguiu entender muito bem a proposta do filme, o que fez com que ele fosse lançado apenas nos Estados Unidos, Canadá e China. O enredo foi visto como "muito complicado" pelo próprio pessoal da Paramount, distribuidora do longa-metragem. O sua distribuição mundial acabou ficando por conta da Netflix, que adotou o filme. 
Após assistir ao filme consegui entender um pouco essas críticas. O enrendo é realmente complicado, e bastante diferente do livro. São poucos os elementos realmente aproveitados pela adaptação. Entretanto eu acho que consegui gostar mais do filme do que do livro, o que pra mim foi surpreendente. Deixo abaixo o trailer, e peço pra que, caso assistam ou já tenham assistido o filme, compartilhem a sua opinião nos comentários :)



comunicação

Serão os podcasts o futuro do radialismo?

sexta-feira, agosto 10, 2018

Talvez alguns de vocês não saibam, mas sou técnica em rádio e televisão. Isso não significa muita coisa, pois nunca trabalhei na área, mas cresci com um pai radialista em uma família que ouve rádio todos os dias. Porém, nunca fui muito fã desse meio de comunicação.
Não me leve a mal, eu acho rádio algo incrível. Adorei a experiência de ter cursado algo relacionado a área, e não nego a importância que esse meio tem no âmbito da comunicação. O rádio tem um alcance que vai além de outras mídias: você pode ouvi-lo no carro enquanto dirige, e obter informação por meio de ondas mais rápidas que a televisão. Porém, é inegável que o público que ouve rádio tem diminuído. Muitas empresas fecharam nos últimos anos, emissoras foram diluídas, e a audiência está cada vez mais baixa. Então surge a pergunta: o radialismo está chegando ao seu fim?


Muita gente botou fé na internet como futuro do rádio. Várias emissoras tem rádios web, algumas transmitem os seus programas no Facebook, etc. Entretanto, ainda assim o alcance não tem sido dos mais grandiosos. Mas algo que tem ganhado força nos últimos dois anos são os Podcasts, e acho interessante ficar de olho neles quando o assunto é radialismo.


Um Podcast é um arquivo de áudio, normalmente gravado num formato de programa, dividido em episódios e disponibilizado na internet. Qualquer pessoa pode criar um podcast. Entretanto, diversas empresas tem se dedicado a essa prática, tendo inclusive grandes emissoras do Brasil como a Folha e a Globo desenvolvido os seus próprios podcasts. Outras empresas, como a Parcast, se dedicam inteiramente à produção desse tipo de conteúdo. 
Para criar um podcast de qualidade, são necessárias algumas habilidades. Habilidades essas que um radialista costuma ter. O podcast não é restrito a esse tipo de profissional, entretanto é um campo para a profissão: afinal, sua produção demanda conhecimento sobre gravação e edição de áudio, produção de texto, etc. 
Como radialista de formação, vejo o podcast como uma possibilidade. Possibilidade não apenas de atuação profissional, mas também de reaproximação do público para com a comunicação via áudio. É claro que há algumas diferenças entre o rádio e o podcast. Porém, cada um tem suas vantagens sobre outros meios: o rádio mantém a sua velocidade na informação, que pode ser ouvida em tempo real em qualquer lugar; e o podcast, pode ser ouvido sob demanda. É só escolher o conteúdo que quer ouvir e dar play.

O QUE DIZ O PÚBLICO

Pra tornar esse post mais interessante, resolvi ouvir um pouco a opinião de outros ouvintes de podcasts. Perguntei no grupo da minha faculdade se a galera ouvia podcasts, e fiquei surpresa em saber que tanta gente lá curte esse tipo de conteúdo. O de longe mais comentado foi o Nerdcast, produzido pelo pessoal do Jovem Nerd (inclusive estou ouvindo um episódio deles enquanto escrevo esse post, sobre a série Black Mirror). Mas também conheci alguns novos podcasts em meio aos comentários do pessoal, como o Mamilos, que traz temas relevantes sobre e para mulheres, e o 45 minutos, que é produzido pelo pessoal do jornal Diário de Pernambuco e fala sobre futebol. 
Também conversei com o pessoal da faculdade sobre quando eles costumam ouvir podcasts. No meu caso, ouço muito quando estou lavando o cabelo ou fazendo faxina. A maioria das pessoas me contou que ouve quando está no ônibus ou a caminho de algum lugar, mas teve relatos de gente que escuta enquanto pinta o cabelo ou mesmo nas horas mais chatas do trabalho.
Conversando com esse público ouvinte de podcasts, pude sentir ainda mais a versatilidade que esse meio tem. Dá pra encontrar podcasts sobre diversas temáticas e que agradem os mais diversos públicos, além de possibilitar acesso ao conteúdo em qualquer lugar.


E você, ouve podcasts? O que acha desse tipo de conteúdo? Me conta nos comentários sobre a sua experiência com eles, e compartilha a sua opinião sobre os podcasts serem o futuro do radialismo.

Em breve pretendo falar mais sobre essa temática por aqui! 

literatura

Resenha: O Psicopata (Vicente Garrido)

terça-feira, julho 31, 2018

Tem quem ache esse meu gosto estranho, mas sempre me interessei por conteúdo relacionado a psicopatas, serial killers, e outras personalidades que são ameaças na nossa sociedade. Sei que não estou sozinha, afinal várias séries que retratam essas figuras tornaram-se famosas, como Dexter, Hannibal, The Following, etc. Entretanto, além de ver o que é representado na ficção, tive recentemente a oportunidade de ler a respeito dessa temática sob o ponto de vista da psicologia criminal: recebi da Paulinas Editora o livro O Psicopata, um camaleão na sociedade atual, do autor Vicente Garrido.


Esta obra, além de caracterizar o psicopata e discutir sobre suas ações, busca definir em que medida cada um de nós está contribuindo para promover uma cultura na qual a psicopatia encontra um campo favorável. A tese do autor é a de que a sociedade moderna (carregada de violência, segmentação, drogas...) permite um acréscimo no número de psicopatas, que estão não apenas distantes, cometendo crimes, mas próximos de nós: nossos políticos, professores, garçons, ou mesmo em nossa família. 


O autor trás o psicopata como um camaleão: capaz de se adaptar às mais diversas situações, a se "infiltrar" em nosso convívio. O livro trás diversos exemplos dessas figuras, discutindo não apenas se determinado criminoso ou personalidade política é um psicopata, mas apresentando os comportamentos psicopatas que são visíveis em suas ações. 


O livro é dividido em 10 capítulos, tendo a edição brasileira um capítulo especial, escrito pela especialista em psicopatologia clínica e psicologia da delinquência Dra. Juliana Teixeira, que fala sobre a psicopatia no Brasil. Em seus capítulos, o livro apresenta questões como as origens e desenvolvimento do psicopata, traços de psicopatia em políticos e criminosos de guerra, e mesmo sobre manifestações da psicopatia em familiares. 


Posso dizer que esta foi uma leitura didática: daquelas que você rabisca, reflete e, sobretudo, aprende. Recomendada principalmente para psicólogos e juristas, é também uma leitura compreensível para leigos, como eu, mas que se interessam pelo tema. 


Este livro faz parte da coleção Aspectos de Psicologia da Paulinas Editora, que traz obras a respeito de diversos ângulos da pesquisa e do exercício científico da área. Como cientista social gostei muito da abordagem sociocultural da obra, que me fez refletir sobre diversos problemas sociais que enfrentamos na contemporaneidade.

Sobre o autor:


Vicente Garrido é professor titular da Universidade de Valência, Espanha, grande incentivador do desenvolvimento da psicologia criminal e da pedagogia corretiva, além de autor de trabalhos científicos de ampla repercussão no âmbito da criminologia. Desenvolve programas de prevenção de condutas antissociais e promove tratamento de agressores implacáveis e sistemáticos.


ISBN: 978-85-356-4330-5

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